Gustavo Dias 26/10/2016 00:00

Como Hamilton está perdendo o título mesmo sendo melhor que Rosberg

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Como Hamilton está perdendo o título mesmo sendo melhor que Rosberg

O GP de Austin foi menos emocionante do que muitos esperavam. Parte disso foi por conta um clima estável que nem chegou perto das oscilações do ano passado, já a outra parte é relativa ao desempenho magistral de Lewis Hamilton. Então vamos logo ao que interessa, pois o campeonato está na reta final e nos restam apenas mais três colunas.

O nível de pilotagem de Hamilton nos EUA foi absurdo, ele simplesmente aniquilou um Rosberg que segundo a própria Mercedes vive a melhor fase de sua carreira. Não bastasse a vitória na pista, Hamilton chegou a Austin cheio de autoconfiança e pela sua postura com a imprensa e nos bastidores, parece ter encontrado um equilíbrio nunca antes visto.

Mas, nem essa nova fase “espiritual” nem a pilotagem no mais alto nível poderão ser capazes de garantir a virada na disputa do título, isso porque o inglês não depende mais apenas dele.

É sempre bom ressaltar que caso tivesse terminado a corrida da Malásia na frente ele ainda seria o líder do campeonato, mas os fatos quiseram que isso não ocorresse e ele agora está em segundo. Nem na vida, muito menos na F1 onde o meio é implacável, dá para viver de “se”, muito menos olhar um fato pontual e aponta-lo como o grande causa do desdobramento final.

Raras vezes um Raras vezes um "segundo piloto" foi tão competente e sortudo.

Falar que Rosberg foi campeão porque Hamilton quebrou na Malásia é quase tão superficial quanto falar que ele está dando uma surra no inglês. Ser superficial não é errado é apenas não se aprofundar, bem como qualquer análise profunda não muda um resultado.

Mas já que falamos em aprofundar, vamos entender como Hamilton está perdendo o campeonato. Focando principalmente nos problemas apresentados pelo carro e pelos problemas de largada.

 No inicio da temporada na Austrália, ele se classificou em primeiro, largou mal, se recuperou e terminou em segundo, com Rosberg em primeiro. No Bahrein o mesmo roteiro, mas dessa vez além de Rosberg ganhar ele chegou apenas em terceiro. Na China ele estava bem nos treinos livres mas teve uma falha no motor durante a classificação e chegou apenas na sétima posição. Na Rússia Hamilton parecia estar pronto para recuperar os pontos perdidos, mas novamente uma falha no motor no Q3 e na corrida o fizeram reviver um pesadelo, mesmo assim ele chegou em segundo. Baku parecia enfim consolidar a reação que o inglês havia começado em Mônaco e no Canadá, porém um erro seu na classificação o fez largar do fim do pelotão e terminar apenas em quinto. Saltando tudo até as férias europeias porque ele não teve mais problemas e também porque o parágrafo está gigante.

Tanto Hamilton como Rosberg tem motivos para comemorar o resultado de AustinTanto Hamilton como Rosberg tem motivos para comemorar o resultado de Austin

Voltando de férias e trazendo na bagagem um acumulo de problemas, a Mercedes decidiu trocar tudo o que tinha direito e ainda fez estoque de peças para o inglês. Assim ele largou em vigésimo e chegou em terceiro. E apesar de ver Rosberg se aproximar no campeonato Hamilton saia fortalecido pela grande recuperação. O grande problema começou na etapa da Italia, quando inglês mais uma vez repetiu as más largadas e terminou em segundo, com Rosberg em primeiro. Já em Cingapura Hamilton não se encontrou enquanto Rosberg novamente vencia. Chegando na Malásia Hamilton vinha dominando a prova até quebrar e ver Rosberg subir ao pódio depois de sobreviver, inexplicavelmente a uma batida de Vettel. O Japão foi um de seus pontos mais baixos, ele não só largou mal e perdeu a pole, como viu Rosberg vencer e passar a depender de três segundos lugares e um terceiro para confirmar o título.

Apesar de estar em uma situação de vantagem, o alemão acerta e muito ao não descartar Hamilton. Sabe que até agora a sorte esteve ao seu lado e teve competência para aproveita-la, mas também sabe que qualquer escorregão pode colocar o inglês de vez na briga e aí fica difícil segurar o piloto que ele conhece tão bem.
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Gustavo Dias
Desde que se entende por gente, um aficionado por corridas de carro, moto, caminhão...enfim, tudo que envolve velocidade e de preferência motores. Dedica seu tempo a trabalhar com o que gosta e claro à Engenharia Mecânica. Aqui no portal seu espaço cativo é a Coluna Hangover, onde fala tudo o que pensa sobre o mundo do esporte a motor.
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