Gustavo Dias 03/11/2016 00:00

Falando sobre Nasr

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Falando sobre Nasr

Antes mesmo de começar 2017, ano no qual será, talvez, o único brasileiro na maior categoria do automobilismo mundial, Felipe Nasr já sofre com as especulações, pressões, desconfianças e ufanismos característicos de nossa imprensa. No dia em que acontece a primeira reunião no QG da Sahara Force of India, que pode ser a futura equipe de Nasr, vamos dedicar uma HANGOVER toda ao brasiliense. Então vamos logo falar do que interessa, porque se ele anunciar a vaga antes de eu terminar de escrever terei um baita retrabalho.

A temporada de 2015 não poderia ter começado melhor para Nasr. Estreou na categoria com um quinto lugar, melhor resultado de um brasileiro na sua corrida inicial, ao longo do campeonato teve belas performances, superou o companheiro de equipe com certa facilidade e quando tudo parecia caminhar bem, veio 2016.

Mal começava o ano já dava para perceber o calvário que seria na equipe suíça, a começar pelo carro. O C35 é basicamente o mesmo carro do ano passado. Nos testes de pré temporada, apesar de ter desempenho para andar do meio para trás o carro não se mostrava tão desequilibrado, mas ai veio o segundo chassi para a equipe e ele foi passado à Felipe. Resultado disso foi Ericsson andando com o chassi bom da pré-temporada e Nasr sofrendo com o seu chassi “problemático”.

O mimado, porém trabalhador sueco tira Nasr e a si próprio da prova.O mimado, porém trabalhador(sem ironias) sueco tira Nasr e a si próprio da prova.

Após um longo período de discussão com a equipe, e mesmo a Sauber declarando que não havia nada de errado com o chassi, os resultados começaram a surgir. Mas, um episódio no GP de Mônaco, anterior a troca do chassi, dava indícios de que Marcus Ericsson era privilegiado internamente. O sueco simplesmente acertou Nasr e tirou os dois da prova, uma vez que não conseguia passar o brasileiro mesmo com carro mais rápido. A atitude que foi clara para quem acompanhou a prova não mereceu atenção especial da equipe, que no máximo abafou o ocorrido. Falar em boicote como fez a Globo, é demais, mas há um claro favorecimento a Ericsson.

E aqui vale um parênteses, não tem nenhum problema em uma equipe favorecer outro, é algo completamente normal, seja por questões financeiras como na Sauber ou seja por desempenho como ocorre na Ferrari. Outro ponto que é bom salientar é que a imprensa falou muita coisa, desde boicota e cravar o piloto na equipe Force of India, porém o próprio Nasr trata de refutar varias das afirmações.

Além de todo o aspecto político e financeiro que envolve a temporada de Nasr, há ainda o fator técnico. O brasileiro é sem dúvida um piloto melhor que Ericsson, mas este ano foi afetado por diversos problemas que ficam além do seu poder, um grande exemplo disso foi a última corrida disputada no México.

Aqueles que olham a tabela, ou fazem resumo superficial da corrida vão dizer que Ericsson fez uma belíssima corrida enquanto Felipe mais uma vez ficou devendo. Bom, é um fato que Ericsson fez uma das melhores corridas de sua carreira, mas a diferença entre o sueco e o brasileiro não se deve apenas ao acerto e brilhante desempenho do europeu.

Nasr e sua abóbora azul.Nasr e sua abóbora azul.

Enquanto Felipe Nasr fez uma excelente largada, após reclamar excessivamente do carro na classificação, Ericsson se envolveu em um acidente com Pascal e Gutierrez e foi obrigado a fazer uma parada, mas sua situação foi amenizada com o safety-car. Assim após a relargada ambos pilotos da Sauber estavam com o mesmo composto de pneu e a mesma estratégia. Nessa tocada Nasr estava sendo cerca de cinco décimos de segundo mais rápido do que o sueco até a volta 15. Se Ericsson havia arrumado um problema na largada, Nasr se deparou com um ao longo da prova. Um pedaço da asa dianteira do carro do brasileiro se desprendeu e como tudo pode ficar pior, esse detrito atingiu o fundo do carro abrindo um buraco no assoalho. Resultado?! Nasr perdeu cerca de 30 pontos em termos de aerodinâmica segundo a telemetria e teve seu tempo de volta afetado em cerca de 1 segundo, logo na corrida em que a Sauber teve um ritmo e estratégias suficientes para colocar Ericsson, que em condições iguais estava mais lento que Nasr, na 11ª posição.

Agora caros apaixonados por automobilismo, carreras son carreras!! Mesmo com todo o contexto da prova, nada muda o resultado final, e volto a repetir, Massa em 2008 soube muito bem disso, assim como Hamilton está aprendendo a lição esse ano e viu um filme similar em 2007. Nasr é melhor que Ericsson, não atoa é mais bem cotado e falado entre as pessoas do meio e todos sabem que a Sauber não é parâmetro para nada esse ano, mas se isso custar a vida de Felipe na F1,  o que eu não acredito, faz parte.

Ainda em tempo: Eddie Jordan concorda comigo, sim, isso mesmo, eu pensei antes dele então é justo, mas ele acredita em Nasr na Renault, Ocon com os indianos e Gutierrez na Sauber.


Ainda em tempo (2): Bottas na Williams junto com Stroll, a permanência do finlandês era menos certa que a estréia do canadense, mas no fim deu certo. Ele era um dos fortes  concorrentes de Nasr na Renault, aliás ele é forte concorrente de todo mundo, baita piloto.

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Gustavo Dias
Desde que se entende por gente, um aficionado por corridas de carro, moto, caminhão...enfim, tudo que envolve velocidade e de preferência motores. Dedica seu tempo a trabalhar com o que gosta e claro à Engenharia Mecânica. Aqui no portal seu espaço cativo é a Coluna Hangover, onde fala tudo o que pensa sobre o mundo do esporte a motor.
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Carlos há 9 meses Responder
Torço pelo Nars, mas vamos ser sinceros, tudo indica que será outro brasileiro na F1 que está fadado a nunca ser compeão mundial. Apenas mais um bom piloto. Ótimo, duvido muito.
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Flávio M Peres há 7 meses
Carlos, o segundo carro da Sauber em 2016 foi uma cadeira elétrica. Somente na chuva, ele conseguiu superar as deficiências do carro, no braço. Na parte molhada do Q1 do GP da Hungria 2016 fez um MILAGRE: com um carro de fim de grid, tirou 2 segundos na habilidade, e chegou a estar em PRIMEIRO, por mérito. O que fez em Interlagos, não só pelos pontos, também foi formidável: largou atrás do festejado Fernando Alonso, o ultrapassou na pista (!) e não mais foi alcançado pelo gênio espanhol, que, com material MUITO SUPERIOR, chegou atrás dele. Então, sua resposta na chuva, demonstra a deficiência do segundo carro da Sauber, mesmo em relação à primeira Sauber. PS: veja o vídeo de uma volta, onde Nasr ultrapassa, respectivamente, Ericsson, Wehrlein e FERNANDO ALONSO! https://youtu.be/ZyFEYDoUcIs
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