Notícias SE MEU CARRO FALASSE 17/12/2014

Vemaguet: a perua pioneira dos carros brasileiros.

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DKW-Vemag Vemaguet
Velozes e Antigos (3)
Vitor Lomeu, de Belo Horizonte.
Definitivamente, a Vemaguet é um carro que marca presença onde chega. Os motivos vão desde o inconfundível barulho do motor de dois tempos até o característico cheiro de óleo queimado produzido pelo mesmo, bem como o simpático design dessa perua.


Fabricada pela Vemag (abreviação de Veículos e Máquinas Agrícolas S.A.) sob uma licença da alemã DKW (Dampf Kraft Wagen, ou “carro a vapor”, em alemão), ela foi oficialmente o primeiro carro brasileiro, produzido de 1956 a 1967. Antes da Vemaguet, também em 1956, foi produzido o Romi Isetta. Porém, devido às exigências do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA) – órgão criado pelo governo de Juscelino Kubitschek – pela presença de duas portas, no mínimo, e espaço para quatro pessoas, o Romi Isetta não levou o título de primeiro carro brasileiro.
No início, a perua tinha um índice de nacionalização maior que 50% em peso, sendo que apenas o para-choque dianteiro reforçado diferenciava o modelo produzido em terras tupiniquins do modelo da Alemanha. A Vemaguet e os seus derivados da época (Belcar, Candango, Pracinha, Caiçara e Fissore) se destacam por serem os únicos carros brasileiros a usarem motor de dois tempos, e não um de quatro tempos. Ainda assim, ele não desapontava e fazia do conjunto mecânico um quesito bem positivo na Vemaguet.

Vemaguet Traseira
Os 3 cilindros em linha eram considerados tão eficientes que a fábrica fazia uma propaganda no mínimo curiosa: “3= 6”, em uma referência aos motores de 6 cilindros da época. Além de dar conta do recado, o motor também era simples e econômico. Ele não tinha comando de válvulas e haviam somente sete partes móveis: virabrequim, três bielas e três pistões.
A hora do abastecimento do tanque da Vemaguet exigia cálculos matemáticos para atingir a proporção de 40 partes de gasolina para 1 de óleo. Somente em 1965 o processo seria facilitado, com a adoção em série do sistema Lubrimat, dispositivo que armazenava separadamente o óleo e já fazia a dosagem das partes.
O motor era refrigerado a água, mas no lugar da bomba d´água havia um sistema de cifão formado pelo radiador posicionado em uma parte superior ao motor. AVemaguet tinha também um sistema de “roda livre”, que era acionado por um cabo e que colocava o carro em um estado parecido com o ponto morto quando o acelerador não estivesse pressionado. Além disso, no acelerador ainda havia um sistema de duplo estágio, em que o pedal endurecia após determinado ponto. Tais sistemas, contribuíram para o consumo de cerca de 10 km/l.
Até 1964 a Vemaguet tinha portas que abriam para frente, no famoso estilo “suicida”, fato que aliado ao uso de vestidos pelas mulheres e aos olhares nada discretos dos rapazes da época, rendeu o apelido de “Deixa ver”. Entenda como quiser! Os primeiros modelos da Vemaguet eram chamados de “risadinha”, apelido dado  devido ao formato da grade dianteira.
A ordem dos lançamentos da Vemag também é um fato interessante, em uma sequência invertida da normal atualmente: o modelo F91 Universal, que só em 1961 foi chamada de Vemaguet, foi lançado antes da versão sedã, o Belcar. AVemaguet também teve versões bem simples, que tinham financiamento da Caixa Econômica Federal e eram equipadas com o básico: a Caiçara, lançada em 1962 e a Pracinha, lançada em 1964.
O interior da Vemaguet Pracinha de 1965 das fotos é simples, mas funcional: nada além de velocímetro, mostrador da temperatura no motor, rádio, caixa de som, porta luvas e o câmbio de 4 velocidades com engantes na coluna de direção. Design simpático, bom conjunto mecânico, econômico e espaçoso: assim era o primeiro dos automóveis nacionais, uma perua. Quem dera se atualmente ainda existissem muitas peruas no mercado. Quem dera…

 Vemaguet  Interior
Ficha técnica Vemaguet:
Motor: dianteiro | 3 cilindros em linha | 981 cm³ | 2 tempos | carburador de corpo simples
Potência: 50 cv a 4500 rpm
Torque: 8,5 kgfm a 2500 rpm
Câmbio: manual de 4 velocidades
Consumo: cerca de 10 km/l
Freios: Dianteiros e traseiros -> a tambor
Suspensão: Dianteira e traseira -> independente, com eixo rígido

Divisória Simples
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edson há um ano Responder
Esses motores de 2 tempos não usavam válvulas funcionava como as motos yamaha dt 180.rd 350 entre outras com motores 2 tempos ele usava 1 platinado 1 bobina 1 carburador para cada cilindro
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Damiao há um ano Responder
Amigo muito bonito o pracinha da reportagem, ele original vem sem radio, e tampa de porta luvas, acessorios esses que eram adicionados com o tempo, otima reportagem abraços
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Riza Braga há um ano Responder
Qual o tipo de sistema de abertura de válvulas, então, Vitor? Adorei! Curto mt Vemaguet!
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